Me formei na UFRJ, fiz residência em Ginecologia e Obstetrícia em 1988 e passei os primeiros anos fazendo o que uma obstetra faz: madrugadas, plantões, partos. Gostava. Mas depois de três assaltos à mão armada e três carros, resolvi que estava na hora de parar. Não dava para ficar trazendo o filho dos outros para o mundo e esquecer os meus.
Larguei a obstetrícia há cerca de dezesseis anos. Fiquei com a ginecologia — e com as pacientes que já vinham comigo desde os vinte e poucos anos delas, e que hoje chegam aos cinquenta, aos sessenta, na mesma cadeira.
No meio do caminho, passei oito anos na direção de uma grande cooperativa médica, cuidando de quatro mil médicos. Aprendi muito sobre o sistema — e sobre por que a consulta de 15 minutos existe. Saí para voltar ao lugar onde a medicina em que acredito acontece: o consultório, olho no olho.
Em 2017, depois de 27 anos, fechei o consultório da Tijuca e concentrei tudo na Barra. Mais recentemente, um convênio de 24 anos me descredenciou. Foi o empurrão que faltava para fazer o que eu já queria: atender menos mulheres, com mais tempo para cada uma.
Escolhi a menopausa e a ginecologia regenerativa para esta fase da carreira porque é onde a mulher mais é deixada sozinha — e porque eu mesma estou nela. Vivi a puberdade, o puerpério e agora a pós-menopausa. Quando uma paciente me conta o que sente, eu sei do que ela está falando.
Me perguntam por que não paro. “Não, vou ter eternidade para descansar.”